Uma ampla estrutura criminosa que comandava atividades ilícitas a partir do sistema prisional é o alvo de uma megaoperação deflagrada na manhã desta segunda-feira, 15 de junho. Ao todo, estão sendo cumpridos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão. A ofensiva, batizada de Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), ocorre simultaneamente nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, sob a coordenação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná.
A mobilização conta com o apoio estratégico da Secretaria de Segurança do Paraná e envolve um contingente de aproximadamente 1.000 agentes de segurança pública, distribuídos em 204 equipes das Polícias Militar, Civil, Penal e Científica. Como o foco central da investigação é a atuação de lideranças já detidas, uma parcela significativa das ordens judiciais — sendo 176 mandados de prisão e 92 de busca — está sendo executada diretamente no interior de unidades prisionais.
O estado do Paraná concentra o maior volume das ordens judiciais emitidas, com alvos localizados em 34 municípios diferentes: Astorga, Arapoti, Candói, Cascavel, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guaíra, Guarapuava, Irati, Jandaia do Sul, Laranjeiras do Sul, Loanda, Londrina, Manoel Ribas, Maringá, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranavaí, Paranacity, Piraquara, Ponta Grossa, Porecatu, Prudentópolis, Roncador, Santo Antônio da Platina, São José dos Pinhais, Sarandi, Sengés, Telêmaco Borba, Umuarama e União da Vitória. Fora do território paranaense, as equipes também cumprem mandados nas cidades de Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).
As apurações que deram origem à operação tiveram início no final do ano passado e foram conduzidas de forma conjunta pelos dez núcleos do Gaeco espalhados pelo Paraná, com autorizações expedidas pelo Poder Judiciário de múltiplas comarcas. O intuito principal da intervenção é identificar e punir o maior número possível de membros da facção, interromper a continuidade de suas práticas delitivas, recolher novos elementos de prova e acelerar a resolução de outros crimes sob investigação.
Origem do Nome: O termo "Panóptico" vem do grego e significa "onde tudo é visto". O conceito arquitetônico e sociológico foi difundido por Michel Foucault no livro Vigiar e Punir, ilustrando a ideia de um controle e vigilância constantes e onipresentes sobre uma determinada área.
A Operação Panóptico está alinhada às diretrizes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), colegiado fundado em 2002 pelo Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) com o objetivo de unificar o enfrentamento ao crime organizado em âmbito nacional. O grupo é composto pelos Gaecos de todo o Brasil e atua de forma cooperativa com forças policiais estaduais e federais, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e órgãos de fiscalização fazendária.