
O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) não irá oferecer a vacina recombinante contra o herpes-zóster (cobreiro). A decisão foi tomada após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou critérios como evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade.
Indicada para idosos a partir de 80 anos e pessoas imunocomprometidas, a vacina segue disponível apenas na rede privada, ao custo médio de R$ 700 por dose, sendo necessárias duas aplicações. O imunizante, do tipo recombinante adjuvado, apresenta eficácia próxima de 90% e proteção mais duradoura em comparação às versões anteriores.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, afirmou que a principal barreira para a incorporação da vacina no Programa Nacional de Imunizações é o alto custo, além da necessidade de priorização frente a outras vacinas consideradas estratégicas. Segundo ele, uma eventual redução de preços pode reabrir as negociações no futuro, com definição de grupos prioritários para imunização.
O Ministério da Saúde disse que o laboratório responsável pela vacina, até o momento, não apresentou uma nova proposta, mas que a pasta tem interesse na incorporação do imunizante e seguirá em negociação para a busca de um preço compatível com a disponibilidade orçamentária. "O impacto orçamentário estimado ultrapassaria R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para efeito de comparação, todos os medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular custaram R$ 4,2 bilhões no ano passado", destacou.

