
O lenacapavir, injeção de aplicação semestral para prevenção do HIV, foi aprovado nesta segunda-feira (12) pela Anvisa e pode representar um avanço no combate à Aids no Brasil. O medicamento atua como profilaxia pré-exposição (PrEP), prevenindo a infecção pelo vírus, mas ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes de uma possível incorporação à rede pública, o fármaco precisa passar pela definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, que avalia eficácia, custo-benefício e impacto orçamentário.
O lenacapavir age de forma inovadora ao atingir o capsídeo do HIV-1, estrutura essencial para a replicação do vírus, dificultando o surgimento de resistência. Estudos clínicos apresentados à Anvisa indicam alta eficácia, com resultados de até 100% na redução da incidência do HIV-1 em mulheres cisgênero e desempenho superior à PrEP oral diária, disponível no SUS desde 2018.
Apesar dos bons resultados, o alto custo do medicamento é apontado como o principal entrave. Nos Estados Unidos, o tratamento pode ultrapassar US$ 28 mil por pessoa ao ano, o que pode inviabilizar sua adoção pelo SUS caso o valor seja considerado incompatível com o orçamento público.

